"Mad World" - Gary Jules - Tema do filme "Donnie Darko"
Fui. Assisti. Amei.
Não podia parar de pensar no filme Donnie Darko, em suas lições, lições tão sutilmente tratadas que nem se pode saber ao certo se são realmente lições ou se são considerações da minha mente bizarra. Eu fiquei com medo de ter medo. Não devia ser assim! Como estou desviada de tudo aquilo que sempre foi a base do meu ser! Tenho medo de não amar, de não confiar... mas sei que tenho medo. Isto é normal? Como os outros se sentem em situações como essa? O que devo fazer pra mudar esse jogo?
O egoísmo é tratado muito bem no filme. A religiosidade também, pelo menos para mim. O tempo certo das coisas, o destino, o poder divino de dominar todas as nossas ações, e pensamentos, e o tempo. Deixa clara a superioridade divina em relação aos humanos, Sua superioridade, Seu conhecimento e Sua perfeição. Mostra que as coisas acontecem quando têm que acontecer, porque Deus sabe o que virá depois, o que é melhor para cada um de nós, mortais, e as lições que cada acontecimento gerarão. Encontrei ligações muito claras com aquele monte de crenças que eu tenho, aquelas meio bizarras, meio inacreditáveis, complexas. Por isso me identifiquei muito com a história.
Depois de tantas experiências que tive nesses três últimos anos, mudei muito minha maneira de digerir os acontecimentos da vida terrena. Os significados das coisas são outros agora, bastante diversos daqueles da infância e da adolescência, mais maduros e realistas.
Hoje, acredito que seja melhor deixar as coisas acontecerem do que ficar planejando-as muito. Quando criamos grandes expectativas acerca de algo, facilmente nos desiludimos com o passar do tempo. Idealizamos situações, tornamo-las perfeitas em pensamentos, mas quando é feita a transição do teórico para o concreto, sempre algo fica a desejar. Nunca alcançamos todas nossas pressuposições, nunca nos sentimos completamente realizados com o resultado. É óbvio que vai ser sempre assim! Somos imperfeitos, pecadores, burros! Mas queremos ser o oposto do que somos, queremos viver o imaginário, o ideal.
Mas não é assim que a vida deve ser vivida. Se sempre nos decepcionarmos, quais serão os motivos motivadores de nossa existência? Como seremos felizes, se nunca nos sentirmos realizados? (Isso vale, pelo menos, para pessoas perfeccionistas como eu, não sei para o resto).
Por isso mudei minha maneira de enxergar o mundo. Atualmente, não tenho tido muitas aspirações. Não acho que devemos parar de sonhar, pois sem sonhos não progredimos. Até acho que me contradigo nesse ponto. Mas não tenho mais gastado tempo com pensamentos platônicos, como costumava.
Se deixarmos o destino nos guiar, não teremos grandes desilusões. Cada conquista tem enorme significado e valor se, mesmo quando não tivermos nada, estivermos saciados. Acho que a vida deve ser vivida como se cada instante fosse o último ¿ sim, isso é clichê, mas acho que só agora entendo o verdadeiro significado e a complexidade dessa máxima. Nunca mais quero ficar esperando por um telefonema, uma carta, uma consideração, um cumprimento, uma retribuição, um sorriso, um olhar. Na maior parte das vezes, eles nunca aconteceram.
Não. Não quero mais sofrer. Vamos tentar desse jeito agora.
postado por: CAMILA BELLATINI 5:03 PM Comments: